
♪ Quiet in my town – Civil Twilight
Eu sei que vocês não se perguntaram e sei que seis dias sem postar não é lá tanta coisa... mas, sim, eu estou viva!
Estou em um momento de grandes, porém insignificantes revoltas internas, comunicando-me com estranhos com uma liberdade peculiar, dormindo bem, comento em excesso, escrevendo loucamente coisas que não postarei aqui sem cogitar suicídio, estudando¹ mais do que nunca, reinventando personalidades apagadas, resgatando laços irresgatáveis, contando e recontando minha rotina insípida para pessoas aleatórias, cantando ABBA (?) sem um pingo de amor-próprio, tendo sonhos absurdos e não-randômicos, brincando de FMK pelo telefone, encontrando estranhos indesejáveis e desejáveis pelas ruas, aceitando sem porquês abraços breves de indivíduos a quem sou indiferente... entre outras coisitas bastantes descartáveis e que a ninguém interessam – nem a mim, que deveria, como sempre, estar em qualquer lugar exceto aqui. Então... au revoir para vocês e aguardem mais um longo período (de seis dias) sem minha presença ;*
¹ Obrigada para quem me desejou boa sorte. Se funcionou ou não, não sei. Primeira prova de direito, ainda mais de direito civil, foi adentrar em um campo antes ignorado. Não sabia o que esperar senão o pior, e acabou não sendo ruim, mas é meio inevitável não saber exatamente o que isso significa. Sim, na minha cabeça é tudo tão vago quanto faço parecer. Quero dizer: desconheço os métodos de correção da professora e seu adorável estagiário – notem o sarcasmo, por favor –, desconheço os termos jurídicos que poderiam fazer minhas respostas mais adequadas às questões (que eram três casos muito interessantes até) e, pior ainda, desconheço quase todas as normas do Código Civil, o que me fez fundamentar minhas respostas em uns poucos artigos – e isto faz com que eu me sinta estúpida, leiga e insuficiente. Mas como sempre me sinto assim, estou lidando muito bem com tudo isso, obrigada.

♪ Heartbreak to hate – Angelfish
Estou com uma vontade louca de jogar tudo para o alto, mas o meu lado de garota responsável que não quer se ferrar na prova de segunda-feira e que acha – ilusoriamente, mas acha – que irá conseguir ler as mais de trezentas páginas em dois dias, e ainda ir a aula de francês amanhã pela manhã, não me deixa jogar nada em qualquer direção (mas deixa eu entrar na internet por uma horinha, que ridícula). Vale dizer, aliás, que as mais de trezentas páginas – de fato, nem as contei para não entrar em estado de choque – tratam basicamente de um ou outro assunto, e só estes, abusando de qualquer tolerância que um aluno possa ter sobre a tal da repetição de idéias e sentenças. Porque é assim: em direito, não se fala nada em dez páginas se você pode falar em cinqüenta delas ou mais.
Até o fim do curso, ministrarei essa habilidade tão útil e meus posts serão todos gigantes, mas por enquanto fiquemos com os minúsculos, certo?

♪ With you – Natalie Walker
Existem dias em que todas minhas convicções se desfazem como se nunca tivessem existido. Todas as minhas perspectivas caem por terra e é um desespero sentir-me tão desarmada de opiniões próprias, sólidas, fundamentadas, refletidas. Sinto-me bastante despreparada para o fluxo intenso de imagens claramente subjetivas me dadas como verídicas, um fluxo especialmente incessante, seguro, insidioso, e tantas outras características que meu desaparecido reflexo e relativa – e questionável – agudeza ainda não captaram. Meus conceitos anulam-se da noite para o dia; tendo para um lado, para outro, para cima, para baixo, para o centro e todas as direções plausíveis. Na dúvida, pela segurança – e eis aqui um evidente exemplo em que usamos a palavra "segurança" para o que, de fato, quer dizer "medo" –, fico parada. A imobilidade e inércia sempre funcionaram, mas há dias que parecem terríveis de ingratos. Em especial quando, como hoje, há aquela vontade imensa de pular. Em que, eu não sei; mas simplesmente pular e agir, e fazer algo além de cogitar possibilidades tão irreais e idealizadas e ingênuas e todos os outros adjetivos que nos remetem para a distância ao que é real e, fundamentalmente, tocável. Porque, às vezes, tenho essa noção, muito da azeda, em que me encarcerei nesse mundo hipotético e que há uma necessidade – ou dever, vai saber – de que eu abandone o meu conforto para ir atender a não-ficção, até então desconhecida, que bate na porta. Ilógicas ou não, são sensações reais, atuais, quase físicas, e que – portanto –, confusas ou não, eu precisava relatar aqui.

♪ Cry on demand – Ryan Adams
Hoje eu ia falar do que está acontecendo na UERJ e discorrer sobre minhas opiniões descartáveis de “burguesinha individualista conformada e dominada pelas ideologias vigentes e sustentadas pela classe dominante”, mas estou com os dedos formigando para adentrar em outros assuntos. Nada específico, só os devaneios de sempre.
Estava cá com meus botões pensando: não é de uma ironia palpável que nós, seres humanos, sejamos amontoados de erros e, ainda assim, tenhamos uma dificuldade intrínseca para perdoar os erros de outrem? Parece-me não só irônico, como cruel. Porque, querendo ou não, acabamos por cair no mar fatal da hipocrisia. Apontamos o dedo para certo indivíduo, enumeramos seus erros, fazemo-nos de vítimas por puro charme, e nós erramos lá na frente. Se o erro é mais grave, menos grave, se ultrapassa os limites da legalidade, ou qualquer dessas argumentações banais que possam surgir... é detalhe. Porque, pior ou melhor, um erro não deixa de ser erro. Melhores sejam as suas intenções, em última instância uma mentira será uma mentira. É claro que, quando nossos pescoços estão na linha, qualquer argumento nos parece válido. Qualquer motivo é bom o suficiente e lhe isenta de conseqüências desagradáveis, porque nossos conceitos morais são sólidos, indiscutíveis, e jamais contornados para um fim questionável – né? Não adianta dizer que não; tendemos a uma postura defensiva quando nos atacam com a objetividade em mãos, e apelamos sempre para a subjetividade que parece aclarar qualquer ação e reação obscura nossa. Só que eu não consigo não pensar se a subjetividade que o outro, em sua humanidade, utiliza para me dar satisfações sobre um determinado erro por ele cometido não seria igualmente válida. Se as razões por ele expostas não seriam também boas o suficiente para explicar o que para mim não tem razão de ser exceto pelos sentimentos de legítima desconsideração. Se a objetividade que procuro nas explicações desse outro simplesmente inexiste e se eu, no passado, preferi inventar uma que, convenientemente, não era moldada a realidade e ajudava-me a superar a minha inabilidade de lidar com o fato de que as coisas não são tão simples quanto eu gostaria. E tantos outros “se” possíveis...
Existem dias em que tais indagações parecem querer me enlouquecer de tão fixas na minha mente. “Isso não lhe leva a nada”, “é a vida...”, “é com todo mundo assim...”, “algumas coisas não tem respostas”, as pessoas me dizem e eu não consigo não fazer cara feia diante dessas respostas tão óbvias – eu posso muito bem chegar a elas sozinha, obrigada! Porque é claro que é assim mesmo, é claro que a vida é fodida a ponto de darmos, mais vezes do que gostaríamos, com a cara em um muro intransponível pelas nossas habilidades de reflexão, e todo esse blá blá blá que lhe deve soar familiar, mas tais noções não cessam esses pontos de interrogação. Ao contrário. E embora “sometimes it’s better off not knowing” – como está no meu layout –, eu não consigo não querer acalantar todos os “se” anteriores com respostas minimamente satisfatórias.

♪ Let’s Start a Band – Amy Macdonald
Dia dez do mês nove do ano oito. 10/09/08. Foi só no fim do dia, na última aula, após discussões que pareciam infinitas sobre a tal da greve na UERJ, em uma turma que sequer é a minha, que me dei conta da coincidência. A menina do meu lado, aos sussurros, foi quem chamou a minha atenção para o detalhe, por sinal; sussurrei de volta que algo de diferente aconteceria hoje, e ela me narrou o que já tinha acontecido a ela: um daqueles encontros absolutamente fortuitos, não marcados, quando menos se espera, com uma daquelas pessoas que, há tempos, você não vê.
Terminado o resumo apressado dela, para que o professor não nos ouvisse murmurar no meio de sua aula, eu murmurei: “mas comigo também! ”. E o fato é que hoje eu sai encontrando um bando de pessoas randômicas pelos arredores. Umas que eu tinha visto ainda na semana passada, uma que eu não via desde o ano passado – leia-se: encontrei Juliana-que-teve-a-cara-de-pau-de-me-pedir-para-mandar-e-mail-como-se-fosse-eu-quem-sumisse (!) –, duas outras que eu não via há uns meses e que só hoje me dei conta de quanto a ausência delas não era sutil, e mais ainda uma que eu, não declaradamente, adoraria ver mais do que tão muito já vejo.
E como ficou registrado no cantinho do meu caderno de rascunhos, entre uma dica de leitura e as idéias de Wittgenstein, resolvi vir aqui e também registrar – na evidente ausência de assunto e de forma tão apressada quanto é possível, considerando as leituras já atrasadas e a vontade de assistir meus adorados episódios de Gossip Girl e One Tree Hill – que o dia dez do mês nove do ano oito é o dia dos encontros repentinos, acelerados, encurtados e – milagrosamente – com pessoas que você não desgosta. Ou melhor, com pessoas que eu não desgosto por inteiro.

♪ The Greatest – Cat Power
Elizabeth:: …I guess I'm just looking for a reason.
Jeremy: From my observations, sometimes it's better off not knowing, and other times there's no reason to be found.
Elizabeth: Everything has a reason.
Jeremy: Hmm. It's like these pies and cakes. At the end of every night, the cheesecake and the apple pie are always completely gone. The peach cobbler and the chocolate mousse cake are nearly finished... but there's always a whole blueberry pie left untouched.
Elizabeth: So what's wrong with the blueberry pie?
Jeremy: There's nothing wrong with the blueberry pie. Just... people make other choices. You can't blame the blueberry pie, just... no one wants it.
Eu estava tão farta com o último layout que sequer conseguia pensar em algumas palavras para aqui escrever. Caço inspiração, assim como qualquer blogueiro que se preze, nessas minúcias estéticas – e você certamente já leu isso por aqui. Devido ao mês de Setembro, queria um layout de seriado – mas a inspiração para isso era nula. Eu tive a idéia para este layout agora visível aqui de tanto ouvir a trilha sonora de My Blueberry Nights (also known as Um Beijo Roubado), que por sinal é uma das melhores que têm chegado até mim nos últimos tempos – como se eu procurasse muitas.
Foi difícil, vou lhes contar. Não porque haja algo de difícil nele, mas porque estava em um bloqueio photoshopico. Se é que isto existe. Dias depois, sentei com uma idéia fixa em mente: terminar o layout e a barra de chocolate. Como o tempo era – e ainda é – curto, fui além: não voltaria atrás no layout, cada decisão não seria questionada e o que saísse seria o que acabaria parando no blog. E saiu isto. Se eu gostei? De certa forma. Não era o que eu tinha em mente, mas nunca é – acabo conformando-me com minha inabilidade e seguindo em frente.
Para os curiosos, quanto ao filme, que eu vi ainda na estréia, há uns meses, é bom. Há opiniões contrárias, e muito possivelmente você não vai gostar como eu gostei, mas minha opinião é um pouco influenciada pelas presenças da Norah Jones, da Chan Marshall (also known as Cat Power, also known as uma das minhas cantoras preferidas, também presente na trilha sonora), da Natalie Portman e até da Rachel Weisz, que pouco aparece, e do Jude Law. Fora isto, há a trilha sonora que acrescenta todo um charme, além de eu adorar esses roteiros super batidos de viagem pelo interior do país – provavelmente porque eu própria adoraria fazer isso – e tudo mais. O quote acima também me conquistou.
No layout, quatro trechos de quatro diferentes músicas da trilha sonora, além de partes do diálogo acima também. Não sei onde peguei os brushes – se souber, avise, please. Só digo que não são meus e que foram muito apreciados.
Continuando nesses assuntos técnicos de blog, queria agradecer a Prih pela indicação no BlogDay, além desse prêmio abaixo. Muito obrigada, menina ;*
"Com o Prêmio Dardos se reconhece os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc, que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras". E possui três regras:
1- aceitar exibir a imagem;
2- linkar o blog do qual recebeu o prêmio;
3- escolher 15 blogs para entregar o Prêmio Dardos;
Permitam-me quebrar uma regra aqui e não indicar ninguém. Não só por preguiça, mas porque – como sempre – não acho que conheço quinze blogs que não tenham já conseguido o prêmio. Se visito sempre seu blog e ainda me dou o trabalho de comentar, pode apostar que eu o reconheço seus valores, então... fica para a próxima – até parece.
