29.6.09 às 21:28 !

Eet – Regina Spektor

... estou escrevendo isso no papel, entre umas anotações mais do que mutiladas da aula de Penal. E não, eu não sei ainda se passarei a limpo no blog ou não. O que sei é que meu cansaço é tamanho que me levantar e digitar umas palavrinhas no blog depois de uma semana inteira ausente de lá daqui parece um esforço maior do que tenho em mim. Aliás, o que não parece? Tenho medo de soar repetitiva e por isso não vou me alongar na idéia – mesmo porque preciso dormir, e isso é fato –, mas, se sinceridade eu almejasse, eu escreveria que nada nas últimas semanas não me cansou. A começar pelos outros, como minha penúltima aparição deixou claro. A terminar... por mim – sim, eu própria. Eu, que fujo do ordinário para recair, sem classe, nele. Eu com a minha repetição de idéias inócuas, meu subjetivismo que já deu no saco, meu vocabulário que parece encurtar com os anos, minha mesmice que toda segunda-feira tento reciclar para voltar ao ponto de partida repleto de frustração mal incubada. Eu e meus sentimentos mais do que podres e feios de se confessar. Eu e minha paranóia, cada dia mais acentuada, minha insegurança que me engole, minha irritação que não sei mais entulhar dentro de mim e daí ela saí estapeando todo mundo, sem controle, aos berros, cheia de má-educação. Eu que ignoro a morte do Michael Jackson,a copa das Confederações, os hilariantes conflitos no Twitter com o @aplusk, as contratações do SBT (oi?), as falcatruas nunca inéditas do Sarney, as eleições violentas no Irã, a morte pela gripe suína, e tantos outros assuntos que, por favor, por mais um único dia, eu vou fingir – em todo o meu egocentrismo e ignorância e tudo mais de feio e humano que tenho – que não atingem a minha esfera privada. Só mais um dia para fingir. Mais uma hora para dormir amanhã. Mais um dia para acabarem as aulas e as provas. Mais um capítulo para acabar os estudos programados para o dia. Mais isso, menos daquilo... E assim vou, fazendo contas com minha habilidade tosca para números, mas que é a única solução que encontro para enganar a frustração – dizer que “está perto” aquilo que sequer enxergo nessa distância toda.

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28.6.09 às 23:24 !

Burn Girl Prom Queen – Mogwai

“Só depois é que eu ia entender: o que parece falta de sentido – é o sentido. Todo momento de “falta de sentido” é exatamente a assustadora certeza de que ali há o sentido, e que não somente eu não o alcanço, como não quero porque não tenho garantias. A falta de sentido só iria me assaltar mais tarde. Tomar consciência de falta de um sentido teria sido sempre o meu modo negativo de sentir o sentido? fora a minha participação”


Na completa ausência da vontade de fazer qualquer coisa execeto ficar com as pernas para o ar e ouvir Mogwai, resolvi ler Clarice e um dos seus melhores livros entre tantos ótimos – A Paixão Segundo G.H – só para me dar conta de duas coisas:

1. Foi dela que eu roubei o hábito de usar travessões em textos. Sorry, Clarice.
2. Eu deveria parar de escrever e apenas quoteá-la, uma vez que ela me visualiza melhor do que eu própria faço. Não o farei, logicamente, mas #ficaadica para dias pouco inspiradores como hoje.

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23.6.09 às 23:24 !

Little Hells – Marissa Nadler

A verdade que esse exercício diário de tolerância tem me afetado mais do que gostaria de admitir aqui. É muito bonito e digno o discurso sobre o enriquecimento pessoal a partir da convivência com aqueles que são tão duramente distintos do que somos. Vocês sabem do que falo: aquele discurso de perfeita e inegável graça, mas que não posso deixar de pensar que se baseia em uma pura abstração para alcançar conclusões etéreas e fracas. Aquele discurso que bate na tecla de uma fácil superação de diferenças drásticas como se isto fosse o que nos é natural, e não sacrificante como acaba sendo. Porque é – sim! – sacrificante e de um cansaço extraordinário caçar assuntos que não surgem a você de forma natural e instintiva, superar os silêncios que gritam, na sua cara feia, a verdade que você nega porque um filho da puta muito do hipócrita lhe deu a entender que é seu dever engolir todas as diferenças e que, se você não o fizer, será um cretino preconceituoso. Como se as coisas, em primeiro lugar, fossem tão estanques a ponto de serem cara-ou-coroa: preconceituoso ou excessivamente benevolente e paciente – tão excessivamente que entra na questão de indagar-se, com toda seriedade do mundo, se toda aquela benevolência chega a ser humana ou se estamos diante da próxima Madre Teresa de Calcutá. Não são estanques! Existe todo um caminho a ser percorrido entre os dois extremos, e é terrivelmente humano se sentir tentado por ambos os lados para acabar naquele ponto da reta que melhor lhe satisfaz.

E quando falo diferenças, pelo amor do Monstro do Espaguete Voador, não comecem a se questionar se sou uma neonazista que pretende, estudando Direito, encontrar brechas no nosso ordenamento para instaurar uma nova ditadura fascista ou qualquer outra que pregue um preconceito em massa baseado em fatores quaisquer. As pessoas tendem a um fatalismo tão acentuado que não demorariam dois minutos para que me taxassem de tudo que é nome ruim só porque admito que as diferenças existem, e que elas às vezes tornam as relações insustentáveis, e nem sempre precisamos tolerá-las nesses casos. Porque as relações, como eu canso de dizer, não se sustentam sem aquela linha finíssima de identificação. E identificação – reitero, sempre! – não significar o elo entre duas sósias cujos gostos e aparências se confundem de tão similares. É fato que é possível rolar identificação entre as duas pessoas consideradas como opostas, e nenhuma entre aquelas que são parecidíssimas. Identificação é um conceito que abrange planos mais profundos, de simpatia pelo outro, de personalidades, distintas como todas são, com pontos comuns ou não, se conformando simultânea e reciprocamente, sem excessivas, danosas e vãs tentativas unilaterais.

E, às vezes, a impressão que tenho é que é praticamente impossível nascer qualquer traço de identificação entre mim e os outros. E sim, eu me esforço – mas esse esforço monumental já destrói toda a essência da natural e adorável identificação necessária para que a relação decole. Destrói, e é desgastante ficar forjando um interesse inexistente, mascarando uma irritação ou outra, e fazendo de tudo possível para conquistar algo que, francamente, não faz a mínima diferença. É tudo somente por uma educação que, em raros casos, recebo em troca. E, quando recebo, dispenso. Porque não quero essas relações tão intrinsecamente superficiais que tentam se fazer do que não são. Forjar cansa, faz mal para a pele, causa queda do cabelo, engorda; e fazer isso diariamente tem me afetado mais do que gostaria de admitir – for real.

Editado: O filme do post passado se chama Adaptação e, sim, é com a Meryl Streep, Nicolas Cage, Tilda Swinton, Chris Cooper (deu até o Oscar de 2003 a ele!) e grande elenco – sempre quis dizer isso! Eu recomendo enormemente, mas aviso, desde já: muitos daqueles a quem eu o recomendei não gostaram. Mas insisto na recomendação.

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21.6.09 às 23:48 !

1234 – Feist



John Laroche: You know why I like plants?
Susan Orlean: Nuh uh.
John Laroche: Because they're so mutable. Adaptation is a profound process. Means you figure out how to thrive in the world.
Susan Orlean: Yeah, but it's easier for plants. I mean, they have no memory. They just move on to whatever's next. With a person though… adapting is almost shameful. It's like running away.

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20.6.09 às 23:52 !

August 10 – Julie Doiron

Eu desisto. Pensei muito nessas palavras hoje: eu desisto. Do quê, por que, para quê eu não sei; mas ando tão emocionalmente exausta que me parece a melhor saída ignorar todas as supostas lógicas linhas de raciocínio que – todos os dias – tentam me sabotar por todos os lados, infligindo sensações não de todo inéditas, e que sempre contribuem para que caia naquele lugar ordinário, bem conhecido, que não merece ser mencionado. Cansei desse ciclo, dessas mesmas idéias rodando na minha cabeça sem que nenhuma evolução respeitável seja projetada. Cansei. E, portanto, eu desisto.

Agora só queria descobrir como se faz isso. Alguma sugestão?

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Lusinha Gabi Daniela Gin Anna Carola Kau Sayo Lucy
Danilo Dany Priih Mih Nati Ana Iara Bill Shaula Sofia

Imagem daqui.